Evento 3

ASSUNÇÃO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

No âmago daquelas que os latinos chamavam “feriae Augusti”, férias de Agosto – da qual deriva a palavra italiana “ferragosto” – a Igreja celebra no dia de hoje a Assunção da Virgem Maria de corpo e alma ao Céu. Na Bíblia, a última referência à sua vida terrena encontra-se no início do livro dos Actos dos Apóstolos, que apresenta Maria reunida em oração com os discípulos no Cenáculo, à espera do Espírito Santo (cf. Act 1, 14). Sucessivamente, uma dúplice tradição – em Jerusalém e em Éfeso – dá testemunho da sua “dormição”, como dizem os Orientais, ou seja, o facto de que Ela “adormeceu” em Deus. Foi este o acontecimento que precedeu a sua passagem da terra para o Céu, confessada pela fé ininterrupta da Igreja.

Como ensina o Concílio Vaticano II, Maria Santíssima deve ser inserida sempre no mistério de Cristo e da Igreja. Nesta perspectiva, “do mesmo modo que a Mãe de Jesus, já glorificada no Céu de corpo e alma, é imagem e primícia da Igreja, que há-de atingir a sua perfeição no século futuro, assim também já agora na terra, enquanto não chega o dia do Senhor (cf. 2 Pd 3, 10), Ela brilha como sinal de esperança segura e de consolação aos olhos do Povo de Deus peregrino” (Constituição Lumen gentium, 68). Do Paraíso, Nossa Senhora continua a velar sempre, especialmente nas horas difíceis da prova, sobre os seus filhos, que o próprio Jesus lhe confiou antes de morrer na cruz.

BENTO XVI
ANGELUS, 
Castel Gandolfo, 15 de Agosto de 2008